A segurança de um país não depende apenas da sua capacidade militar.
No mundo atual, marcado por crises climáticas, riscos tecnológicos, ameaças híbridas e instabilidade geopolítica, a proteção do território e da população exige uma abordagem integrada.
Em Portugal, tal como na maioria dos países europeus, essa abordagem assenta em três grandes pilares: a defesa contra agressão exterior, a segurança interna e a proteção civil.
Estes três domínios têm missões diferentes, instituições próprias e enquadramentos legais distintos, mas partilham um elemento comum: todos dependem cada vez mais de tecnologia, equipamentos especializados e capacidade industrial.
Neste contexto, surge uma oportunidade estratégica para a indústria portuguesa desenvolver produtos e soluções de duplo uso (dual-use), com tecnologias que podem ser utilizadas tanto em aplicações militares como civis.
Entre os vários setores possíveis, os veículos especializados e plataformas móveis destacam-se como uma área particularmente promissora para a inovação e para o crescimento industrial.
A defesa externa corresponde à função clássica do Estado de garantir a soberania e a integridade territorial perante ameaças vindas do exterior.
Esta missão é assegurada pelas Forças Armadas e inclui várias dimensões:
Portugal possui uma realidade geográfica particular. Para além do território continental, o país tem uma vasta zona económica exclusiva no Atlântico e arquipélagos que ampliam significativamente o espaço sob responsabilidade nacional. Isto significa que a defesa externa envolve também capacidades de vigilância marítima, logística e mobilidade.
Para cumprir estas missões são necessários diversos sistemas e equipamentos, incluindo:
Embora muitos destes sistemas sejam tradicionalmente associados à indústria de defesa, uma parte significativa das tecnologias envolvidas tem aplicações que ultrapassam o domínio militar.
O segundo pilar é a segurança interna, que engloba as atividades destinadas a garantir a ordem pública, prevenir o crime e responder a ameaças no interior do território.
As forças e organismos responsáveis incluem, entre outros:
Nos últimos anos, o conceito de segurança interna evoluiu significativamente. Para além do crime tradicional, as autoridades enfrentam desafios como:
Estas missões exigem cada vez mais equipamentos especializados e tecnologia avançada, como:
Tal como no domínio militar, muitos destes equipamentos podem ser desenvolvidos a partir de plataformas industriais com aplicações civis.
O terceiro pilar da segurança nacional é a proteção civil, responsável pela preparação e resposta a emergências e catástrofes.
Em Portugal, este domínio é particularmente relevante devido a vários fatores:
As missões da proteção civil incluem:
Neste contexto, os equipamentos utilizados são extremamente diversificados:
A resposta a grandes catástrofes exige mobilidade, robustez e interoperabilidade, características que também são essenciais em equipamentos militares e de segurança.
Apesar das diferenças institucionais entre defesa, segurança interna e proteção civil, existe uma convergência crescente em termos tecnológicos.
Muitas das capacidades necessárias são semelhantes:
Esta convergência abre espaço para o desenvolvimento de plataformas comuns que possam ser adaptadas a diferentes missões.
É aqui que entra o conceito de duplo uso.
Tecnologias de duplo uso são aquelas que podem servir simultaneamente aplicações
civis e militares.
Exemplos clássicos incluem:
Para a indústria, o duplo uso oferece várias vantagens importantes.
Equipamentos destinados exclusivamente ao setor militar dependem fortemente de contratos governamentais.
Ao desenvolver produtos que também podem ser utilizados em aplicações civis, as empresas ampliam significativamente o seu mercado potencial.
O desenvolvimento de tecnologia avançada exige investimentos elevados.
Quando uma mesma plataforma pode ser utilizada em diferentes contextos, esses custos podem ser distribuídos por vários mercados.
O setor civil, especialmente em áreas como mobilidade, eletrónica e software, evolui frequentemente mais rápido do que o setor militar.
O duplo uso permite aproveitar essa dinâmica de inovação.
Para os países europeus, incluindo Portugal, desenvolver capacidade industrial em áreas críticas contribui para
reduzir dependências externas e reforçar a autonomia estratégica.
Entre as várias áreas de duplo uso, os veículos especializados representam uma das oportunidades mais claras para a indústria portuguesa.
Uma plataforma automóvel robusta e modular pode ser adaptada para múltiplas funções.
No domínio da defesa, veículos especializados podem incluir:
Estas plataformas precisam de características como:
A mesma base tecnológica pode ser adaptada para missões de segurança pública:
Neste caso, a prioridade pode estar em:
domínio da proteção civil, plataformas semelhantes podem ser utilizadas para:
Nestes cenários, características como robustez, capacidade todo-o-terreno e modularidade tornam-se particularmente valiosas.
Portugal possui um conjunto de competências industriais que podem ser mobilizadas para este tipo de desenvolvimento.
Entre elas destacam-se:
O país possui também centros de investigação e universidades com experiência em áreas relevantes como:
A articulação entre empresas, centros de investigação e entidades públicas pode permitir o desenvolvimento de soluções competitivas no mercado internacional.
Outro
fator relevante é o contexto europeu.
A União Europeia tem vindo a reforçar programas destinados a apoiar:
Estes programas criam oportunidades de financiamento e cooperação internacional para empresas que desenvolvam soluções inovadoras.
Ao focar-se em nichos como veículos especializados, plataformas modulares e sistemas móveis de resposta a emergências, a indústria portuguesa pode posicionar-se em cadeias de valor europeias.
O desenvolvimento de produtos de duplo uso pode também reforçar a cooperação entre os três pilares da segurança nacional.
Se as plataformas forem pensadas desde o início para aplicações múltiplas, torna-se possível:
Além disso, esta abordagem pode contribuir para criar um ecossistema nacional de inovação em segurança, envolvendo:
A defesa contra agressão exterior, a segurança interna e a proteção civil representam três dimensões essenciais da segurança nacional. Embora tenham missões distintas, dependem cada vez mais de tecnologia avançada, mobilidade e capacidade industrial.
Neste contexto, o desenvolvimento de produtos de duplo uso surge como uma oportunidade estratégica para Portugal e para a Europa. Ao apostar em plataformas modulares e tecnologias adaptáveis a diferentes missões, a indústria portuguesa pode simultaneamente:
Entre as várias áreas possíveis, os veículos especializados e plataformas móveis destacam-se como um domínio particularmente promissor. Combinando competências industriais existentes com inovação tecnológica, Portugal pode posicionar-se como um fornecedor de soluções para defesa, segurança e proteção civil, não apenas a nível nacional, mas também no contexto europeu e global.
EU ACREDITO QUE AS EMPRESAS DEVEM TER 3 RAZÕES DE EXISTÊNCIA ESSENCIAIS:
COM ESTE PROPÓSITO A JACINTO CONTINUARÁ A SEGUIR A SUA ESTRATÉGIA DE EVOLUÇÃO!